Engraçado que atentaram pro fato de hoje ser sexta-feira treze, mas não lembramos de que não é um dia 13 qualquer: é 13 de maio! Dia da abolição da escravatura no Brasil.
Isto posto, terminei na aula de hoje os comentários sobre as vibrantes, que comecei na quarta-feira. A leitura específica é o capítulo "A interpretação das vibrantes", do livro de Callou e Leite. No entanto, nas duas aulas, fomos bem além do texto, fazendo comentários sobre as normas que permeiam o uso da língua nos meios de comunicação e nas artes (rádio, TV, teatro, cinema, música) e as mudanças que se podem testemunhar ao longo do século XX.
Fiz referência ao acervo fonográfico do Instituto Moreira Salles (IMS), que reúne grande parte da fonografia brasileira, isto é, quase tudo o que foi gravado em disco no Brasil. Interessam-nos especialmente as gravações das cinco primeiras décadas do século XX, onde se pode observar a mudança de pronúncia dos "erres" e do /l/ posvocálico. Acessando o site é possível ouvir o acervo. Peguem o endereço e visitem o Instituto: fica num casarão maravilhoso na Gávea, no meio da mata, e tem sempre exposições ótimas.
Pesquisando na web, achei um site que registra O nascimento da indústria fonográfica no Brasil. Lá se pode ouvir (segundo as informações fornecidas pela autora do blog, Leni David) a primeira gravação de música cantada feita no Brasil, o lundu "Isso é bom". A autora diz que a gravação data de 1902. Já o site do IMS situa a gravação entre 1907 e 1912. Independente da data, é um registro precioso para nós, já que constitui uma amostra de oralidade do início do século XX. É só clicar e ouvir.
Hoje, especialmente, tivemos uma aula musical e estiveram presentes Carmen Miranda, Marília Medalha, Adriana Calcanhoto, Caetano Veloso... Ouvimos duas músicas (Camisa listrada, de Assis Valente, e Disseram que eu voltei americanizada, de Vicente Paiva e Luiz Peixoto) na voz de Carmen Miranda e de outros intérpretes.
A TAREFA:
Deixo aqui as diferentes versões das duas músicas para download e proponho que transcrevam foneticamente os "erres" (apenas os "erres", não se entusiasmem!). As letras das músicas estão disponíveis nos links que pus mais acima. As músicas:
Camisa listrada - 1938 - intérprete: Carmen Miranda
Camisa listrada - 1967 - Intérprete: Marília Medalha
Disseram que eu voltei americanizada - 1940 - Intérprete: Carmen Miranda
Disseram que eu voltei americanizada - Intérprete: Adriana Calcanhoto
Disseram que eu voltei americanizada - Intérprete: Caetano Veloso
sábado, 14 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
O surgimento da capacidade da fala - parte 3
Aproveitando a dica de um dos comentários, acho que o tema se completa bem com o filme "A guerra do fogo". Vejam uma das sinopses disponíveis na net (http://www.telona.org/a-guerra-do-fogo-dvdrip-xvid/):
Sinopse: O filme trata de dois grupos de hominídios pré-históricos: um que cultuava o fogo como algo sobrenatural e outro que dominava a tecnologia de fazer o fogo. Em termos de linguagem, o primeiro não está muito longe dos demais primatas, emitindo gritos e grunhidos quase na totalidade vocálicos. Esse tipo de comunicação assemelha-se ao que Rousseau considera, em seu Ensaio sobre a origem das línguas, como a primeira manifestação de linguagem no homem, que é a expressão de suas paixões, como a dor e o prazer. Já o segundo grupo parece ter uma comunicação mais complexa, com maior número de sons articulados. Há outros elementos culturais, como habitações e ritos, que denotam um maior grau de complexidade do segundo grupo com relação ao primeiro.
No que concerne apenas à questão da linguagem, uma possível interpretação seria a seguinte: em um determinado estágio de sua evolução biológica, o homem, já se locomovendo como bípede e tendo suas mãos livres, aprendeu a manipular instrumentos, a interferir no seu meio e a fazer, dentre outras coisas, o fogo. A necessidade de preservação desse conhecimento, dessa tecnologia, levou-o a sofisticar a sua capacidade de comunicação. A princípio, sua linguagem pode ter sido meramente gestual, mas ele descobriu que os sons também poderiam se prestar a essa função.
Assim como, ao tornar-se Homo Erectus viu-se com as mãos livres (antes usadas principalmente na locomoção) e descobriu que poderia usá-las para manipular as coisas; assim como, ao tornar-se Homo Sapiens descobriu que poderia usar essa capacidade de manipulação para interferir no seu meio; da mesma forma, descobriu que os órgãos utilizados para funções vitais como a respiração e a digestão, também serviam para emitir sons. A partir do momento em que aprendeu a diversificar os sons através das articulações, conseguiu aumentar as possibilidades de combinação entre eles. Uma vez estabelecidas determinadas convenções entre os seus semelhantes, possibilitou-se a troca de informações (como a tecnologia de fazer o fogo) de um indivíduo para o outro.
A sofisticação da linguagem serviu para facilitar a comunicação de uma informação complexa, talvez não expressável meramente pelo gesto. Portanto, como diria o pai da Linguística Moderna, Ferdinand de Saussure, “não é a linguagem que é natural ao homem, mas a faculdade de construir uma língua, vale dizer: um sistema de signos distintos correspondentes a idéias distintas”.
As divagações acima são apenas leituras possíveis do interessante filme de Annaud. E os indícios lingüisticos (a distinção entre a linguagem de uma tribo e de outra) foram pensados pelo foneticista Anthony Burgess, que assina o roteiro. Burgess ficou conhecido pelo livro Laranja Mecância, que foi adaptado para o cinema por Stanley Kubrick.
A Guerra do Fogo, com roteiro de Burgess e direção de Annaud, pode ser monótono e cansativo para quem não tem curiosidade pelo tema. Mas aqueles que se interessam não só pela origem da linguagem, mas pelas raízes da espécie humana e pelo florescer da razão e das tecnologias, irá apreciar o filme.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
Aula de 6 de maio
Então, meu caso é.... que acordei sem voz e pedi que avisassem às duas turmas de que eu não daria aula. :( Quarta eu já tava com dor de garganta e meio rouca e, hoje de manhã, nem um fio de voz.
Na aula de quarta tratamos das laterais, incluindo o processo de variação e mudança que envolve a lateral em coda silábica e descobri que ainda não tinha tratado das consoantes nasais na turma das 11 horas. Hoje falaríamos das vibrantes, mas como eu não "falaríamos" nada, o jeito foi ficar recolhida.
No mais, tudo show!
Bom fim de semana e até a próxima quarta!
Na aula de quarta tratamos das laterais, incluindo o processo de variação e mudança que envolve a lateral em coda silábica e descobri que ainda não tinha tratado das consoantes nasais na turma das 11 horas. Hoje falaríamos das vibrantes, mas como eu não "falaríamos" nada, o jeito foi ficar recolhida.
No mais, tudo show!
Bom fim de semana e até a próxima quarta!
terça-feira, 3 de maio de 2011
sábado, 30 de abril de 2011
O surgimento da capacidade da fala - parte 2
Como os golfinhos não podiam ficar de fora, finalizo o tema com duas reportagens:

Os artigos e reportagens que postei sobre o desenvolvimento da fala advêm de várias áreas do conhecimento: neurociências, antropologia, sociologia, psicologia, biologia, genética, física acústica... Em todos, usam-se palavras como "ciência", "cientistas", "pesquisadores". Palavras que também pertencem àqueles que se dedicam estritamente ao estudo científico da língua - os linguistas.
Sintam-se, pois, em casa.

Como a imagem não está muito legível, segue o texto:
Texto da matéria "Conversas em golfinês"Os artigos e reportagens que postei sobre o desenvolvimento da fala advêm de várias áreas do conhecimento: neurociências, antropologia, sociologia, psicologia, biologia, genética, física acústica... Em todos, usam-se palavras como "ciência", "cientistas", "pesquisadores". Palavras que também pertencem àqueles que se dedicam estritamente ao estudo científico da língua - os linguistas.
Sintam-se, pois, em casa.
O surgimento da capacidade de fala - parte 1
Nas aulas dessa semana resvalamos num assunto que sempre vem à baila quando se trata da dupla articulação da linguagem como uma das características que singularizam a espécie humana: afinal, como essa capacidade se desenvolveu? Por que nós a desenvolvemos e as outras espécies não?
Bem, antes que a gente fique se achando o máximo em termos evolutivos (e também porque hoje é sábado!) vale assistir a essa palestra:
Bem, antes que a gente fique se achando o máximo em termos evolutivos (e também porque hoje é sábado!) vale assistir a essa palestra:
Agora que todos já se aprumaram e resgataram a sua dimensão de indivíduos frente ao universo, seguem leituras sobre o tema. Buscando artigos na internet, há alguns semestres atrás, encontrei alguns textos interessantes e escolhi estes três:
Um bom texto para introduzir a conversa. Publicado na Revista Cérebro & Mente, que tem ótimas referências acadêmicas.
Este é um texto bastante acessível, publicado na Revista Temas, e fornece uma visão abrangente sobre a matéria. Apesar de a revista não estar vinculada a uma instituição científica, os artigos são bem cuidados, embora tragam poucas referências bibliográficas. Ainda assim, sacia a curiosidade.
Este artigo está publicado em outra revista virtual (Inventário - Revista dos Estudantes do Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal da Bahia) e é a tradução de um texto instigante e substancioso que inicia o livro The evolutionary emergence of language (Knight, C. et al. Language: a Darwinian Adaptation? In: The evolutionary emergence of language. Cambridge , University Press, 2003, p. 1-15.). O texto faz muitas considerações sobre o trabalho de Chomsky e, como merece ao menos uma olhadinha, fiz um apanhado-aperitivo:
sexta-feira, 29 de abril de 2011
Aula de 29 de abril: leitura complementar
Feita a pausa para a celebração da sexta-feira (merecemos!), volto aos assuntos acadêmicos.
Na aula de hoje, tratei de três conceitos base para a compreensão da forma como os sons se organizam em uma língua: oposição, alofonia e neutralização. Fui a dois dicionários de linguística consultar os verbetes referentes a estes conceitos e reuni as informações em um documento que fica aqui como leitura complementar:
Leitura complementar: verbetes oposição, neutralização e alofonia.
Por hoje, encerro o expediente - ou, como diz uma amiga minha, "fecho a banquinha".
Bom fim de semana!
Na aula de hoje, tratei de três conceitos base para a compreensão da forma como os sons se organizam em uma língua: oposição, alofonia e neutralização. Fui a dois dicionários de linguística consultar os verbetes referentes a estes conceitos e reuni as informações em um documento que fica aqui como leitura complementar:
Leitura complementar: verbetes oposição, neutralização e alofonia.
Por hoje, encerro o expediente - ou, como diz uma amiga minha, "fecho a banquinha".
Bom fim de semana!
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